Segunda-feira, Agosto 08, 2005

As Canções de Winterbottom

Atenção! O novo filme de Michael Winterbottom não é tão mau como poderia ser. Poderia ser pior mas também nunca poderia ser bom. Porquê? Porque 69 minutos de sexo e rock ‘n’ roll é demais. A ideia base de 9 Songs até não é má de todo: filmar a intimidade de um casal e misturar uns concertos. A questão que se coloca é o tamanho que aqui conta mesmo. O filme torna-se chato por ser previsível desde o início. Toda a gente sabe o que vai encontrar antes de entrar na sala e está pronta para participar nos debates de mesa de café que se seguem. Polémica aqui e polémica acolá. Filme vazio, filme foleiro, trálálá.

Michael Winterbottom só não se espalha completamente no chão pelo simples motivo que, por vezes, consegue mesmo mostrar “intimidade”. Não é nada fácil fazer cinema assim e este filme anda lá perto o que já não é mau. Patrice Chéreau conseguiu algo mais porque tinha uma história para contar e não apenas uma série de bandas. Black Rebel Motorcycle Club, The Von Bondies, Elbow, Primal Scream, The Dandy Warhols, Super Furry Animals, Franz Ferdinand e Michael Nyman são os responsáveis pelas 8 canções e uma música cuja única função é preencher o filme. São figurantes. Podiam ser estas bandas ou outras, podia ser este casal ou outro.

Outra vez a polémica que vende o filme. Este é um filme com bolinha, sim. Temos penetrações, felações, masturbações e até cenas com vibradores mas, contudo, não há nada de chocante ou provocador aqui. Atrevo-me a dizer que existem no filme cenas de sexo tão bem filmadas que nos fazem sentir intrusos. Apetece deixar aquelas duas personagens sozinhas. Nós não temos o direito de quebrar intimidade delas. Winterbottom está, por isso, muito longe do repelente Romance de Catherine Breillat. Em 9 Songs nunca se filma o sexo de forma pornográfica. Não há um único plano que nos remeta para os filmes dos canais codificados. Já não é mau, repito, mas o tamanho estraga tudo...