Sábado, Outubro 22, 2005

Alice desapareceu há 193 dias...

Alice poderia ser uma espécie de manual de sobrevivência numa grande cidade. Uma cidade chamada Lisboa, chuvosa, fria e assustadoramente credível. Aqui não há figurantes mas pessoas indiferentes ao outro. Solidão. Perda. Desespero. Azul. Tudo é azul, como em Kieslowski.

Nuno Lopes é exemplar e parece não representar. Beatriz Batarda (re)confirma o seu talento. Os actores secundários - Miguel Guilherme, Laura Soveral, Ivo Canelas, Gonçalo Waddington, entre outros - fortalecem ainda mais uma história de um pai à procura de uma filha que desapareceu. Parece pouco e é tanto. Cannes aplaudiu esta primeira longa-metragem de Marco Martins. Eu não aplaudi. Engoli em seco...

Alice é um filme belíssimo e angustiante com emoções reais que escapam à tentação da lamechice. Obrigatório. Obrigado, caro Marco.